Demorei um pouco para postar a primeira entrada no meu blog aqui, pois "a primeira vez" é sempre um evento marcante. Porém, hoje estava lendo a Folha on-line (IMHO o melhor jornal brasileiro no momento) e me senti propelido a escrever algo.
O artigo fala sobre um "guri" (Gary Brolsma) norte-americano que filmou sua versão pessoal do clip da música "Dragostea Din Tei" da banda romena O-Zone.
Bom, o cara inventou uma coreografia engraçada, filmou, digitalizou e disponibilizou na internet. Até o momento o video clip do rapaz já foi visto por estimados dois milhões de pessoas.
Fora questões sobre crítica ou bom gosto, o que me chamou a atenção foi a forma Creative Commons como tudo ocorreu. No próprio artigo da Folha, foi consultado um professor de antropologia cultural da Universidade de Roma, Massimo Canevacci, que fez algumas observações interessantes:
Quem se expõe na rede é movido por um instinto não narcisista, mas criativo. ... Quer reelaborar algo que viu, ouviu ou leu. A internet é uma mídia de mão dupla, em que somos observadores e realizadores ao mesmo tempo.
O mais puro espírito do software livre, ou adequando às artes, o mais puro espírito CC. Quem assistiu ao mega evento da CC no 5º FISL ano passado, deve fazer alguma relação das palavras de Massimo Canevacci com o discurso de Gilberto Gil.
Não vi o clip de Gary Brolsma (vi filmezinhos enlatados norte-americanos anos 80 neste estilo o suficiente), e não sei se ele já ouviu falar na CC, também não sei se a O-Zone irá processa-lo, pois aparentemente Brolsma não está ganhando dinheiro (que é o que importa neste mundo) com isto, mas este evento valida tudo o que foi previsto (Larry Lessig), analizado e discutido naquele interessante 5º FISL em 2004.
Ahhh, se alguém ficou curioso com a música dos romenos, é a mesma que o grão trash-brazilian-culture Latino usou para avisar que em seu Apê tem bunda-lelê.